‘A matemática mudou a minha vida’, diz medalhista da OBMEP

 

Daniella Almeida foi a única menina premiada na rede municipal do Rio de Janeiro


Única menina da rede municipal do Rio de Janeiro a conquistar medalha de ouro na 19ª OBMEP, em 2024, Daniella Almeida, 15 anos, hoje estudante do CEFET (Centro Federal de Educação Tecnológica), já coleciona três premiações na competição científica: dois bronzes, em 2022 e 2023, e o ouro, recebido na 19ª Cerimônia Nacional de Premiação, realizada em 30 de junho.
 

Mais do que uma rotina de estudo, as medalhas revelam uma história de superação. A primeira conquista chegou em um momento delicado. “Meu pai faleceu de câncer um mês antes de eu fazer a primeira fase da 17ª OBMEP. [A prova] foi algo em que eu consegui me agarrar para superar a perda do meu pai, e que também ajudou minha família no processo do luto”, lembra a estudante. Para Daniella, a prova virou um ponto de apoio.

Na ocasião, após ser classificada para a segunda fase, Daniella correu atrás do que pôde: assistiu a vídeos, pesquisou provas antigas e estudou com os recursos que tinha. O esforço deu resultado: garantiu medalha de bronze nacional e, com isso, uma vaga no PIC (Programa de Iniciação Científica Júnior), que oferece aulas de aprofundamento em matemática.

“Foi incrível. Ganhei a medalha em 2022 e comecei a participar do PIC em 2023. Lá, passei a conviver com pessoas iguais a mim, que se encantaram com a matemática depois da OBMEP”, diz Daniella. Foi nesse ambiente que a jovem, que inicialmente via a matemática como obrigação, passou a enxergar a disciplina de outra forma: instigante, repleta de raciocínio lógico e encantadora. 

Além do aprendizado, a medalha nacional ofereceu uma importante ajuda financeira - a  bolsa de R$ 300, paga pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) aos estudantes de escolas públicas que integram o programa. O auxílio permitiu que a jovem pagasse as contas de internet e gás da casa onde morava. Com a mãe desempregada, e dois irmãos, de 9 e 17 anos, o impacto do auxílio foi muito importante. “R$ 20 já era muito para mim... imagina R$ 300!”, conta. Além das despesas da casa, a estudante conseguiu realizar pequenos desejos, como comprar um lanche na rua, algo antes inacessível.




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No ano seguinte à primeira medalha, Daniella viveu mais um momento difícil. A mãe, Denise Machado, precisou ser internada devido a um problema de saúde e Daniella quase precisou mudar para a casa da avó, na zona rural. A troca de endereço obrigaria a estudante a mudar de colégio e a abandonar o PIC. A intervenção da escola, que conversou com a família, garantiu a permanência de Daniella nas aulas e no programa.

Com o apoio recebido, a jovem conquistou um novo bronze em 2023 e, em 2024, a tão sonhada medalha de ouro. As conquistas abriram ainda mais portas. Neste ano, além de continuar participando do PIC, ela foi aprovada, entre cerca de 2 mil inscritos, no curso Bhering Academy, da Fundação Bhering. A iniciativa visa a capacitação de jovens para o mercado de tecnologia e oferece formação em programação, inglês técnico e desenvolvimento de projetos. Para a estudante, que hoje cursa o 1º ano do Ensino Médio no Instituto Federal do Rio de Janeiro, a OBMEP foi uma grata surpresa. 

“A matemática mudou a minha a vida. Achava que era só para gente muito inteligente, mas percebi que eu também posso aprender”, disse Daniella, que passou a participar de outras olimpíadas de conhecimento, após o desempenho na OBMEP. 

“No PIC fiz amigos que participavam de outras Olimpíadas. Neste ano, ganhei medalha de bronze na OBA (Olimpíada Brasileira de Astronomia) e vou fazer pela primeira vez a OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática). Fiz também a segunda fase da OBI (Olimpíada Brasileira de Informática)”, contou.  

Para a mãe, Denise Machado, a jovem é motivo de muitas alegrias: “Estou muito feliz e orgulhosa. Ela vai fazer a segunda fase da 20ª OBMEP esse ano. Rumo a mais um ouro! Daniella também gabaritou a prova da primeira fase da OBI”, comemorou.

Agora, a estudante se prepara para realizar mais um sonho: cursar Ciência da Computação em uma universidade fora do Brasil. A trajetória acadêmica foi motivo de inspiração para o irmão mais novo na rotina de estudos para a 1ª fase da Olimpíada Mirim-OBMEP, realizada na última terça-feira (26). “Ele está no 4º ano do Ensino Fundamental e estava muito ansioso para fazer a prova. Estou sempre incentivando ele; falando sobre as oportunidades que as medalhas oferecem”, concluiu Daniella.