Com OBMEP na Escola, Luiz Felipe Lins experimentou ‘didáticas diferenciadas’

 

Dos 26 anos que o professor Luiz Felipe Lins, da Escola Municipal Francis Hime, passou em sala de aula, ao menos 15 foram dedicados às aulas de preparação de alunos que estudavam para a OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), indo além do conteúdo rotineiro da disciplina. De 2017 a 2019, Lins participou do OBMEP na Escola, programa que contribui para a formação de professores em matemática e estimula a adoção de novas práticas didáticas. “Gostei muito de trabalhar no OBMEP na Escola. Me deu a opção de planejar sequências didáticas diferenciadas através do material sugerido”, diz.

O professor participou do programa pela primeira vez em 2017, conhecendo então o material preparado pela equipe da olimpíada, que ele considera “excelente e bem direcionado”. Durante o OBMEP na Escola, professores são incentivados a pensar em novas formas de ensinar matemática e trocar dicas e sugestões entre si. Lins comenta que uma das estratégias que surtiu efeito foi mesclar alunos do Nível 1 com o Nível 2 e selecionar, entre as questões do material, o que faz sentido para cada fase do aprendizado. “Tem questões que podemos propor quando eles já estiverem dominando o conceito e fazendo pontes e interações entre mais de uma habilidade”, pontua. 

Sem dúvidas, o programa foi muito importante para os alunos da Francis Hime, que em sua maioria passam para a segunda fase da competição. De 2010 a 2019, suas turmas conquistaram 60 medalhas e 201 menções honrosas na OBMEP. Lins afirma que o programa lhe proporcionou um ganho pessoal, e que foi ainda mais longe com a experiência que vem ganhando. “Se entrei para o mestrado, não tenho dúvidas de que foi porque estava resolvendo questões com as crianças ali. Vi os alunos desenvolverem formas de resolver o problema que muitos professores não têm! Hoje, sou um professor de matemática com um conhecimento melhor e que criou gosto por resolver problemas exatamente por conta da OBMEP”, comenta com orgulho.

A relação duradoura com a competição garantiu que o professor fosse premiado 11 vezes na olimpíada. Além disso, inseriu um novo tipo de matemática na rotina escolar da Escola Municipal Francis Hime. “Desde a primeira OBMEP que participamos, priorizo trazer questões mais voltadas para o raciocínio do que tecnicistas. Isso acabou mudando a minha visão como professor, então as situações que eu proponho na aula são parecidas com os problemas que a olimpíada gostaria que os alunos conseguissem resolver. O que eu trabalho em aula têm que se conectar com os problemas que o mundo atual pede para matemática”, explica o professor.

Trazendo ideias diferentes para a sala de aula, Lins conseguiu que sua escola se tornasse um espaço procurado por estudantes entusiastas da matemática. “Por trás disso, tem um olhar que ressignifica a disciplina, criando conexão com coisas do dia a dia. É por isso que eles vão tão bem nas olimpíadas! Você não precisa preparar o aluno para a olimpíada, mas mostrar que aquele conteúdo faz sentido na vida dele”. Esse olhar rendeu diversas conquistas ao docente. Lins foi um dos vencedores do Prêmio Shell de Educação Científica 2020 pelo projeto Geometria e Construção Civil, além de ter recebido o título de Educador do Ano em 2020. “A OBMEP criou uma identidade na minha escola, que se tornou bastante voltada para a matemática”, conclui. 

O professor tem orgulho do histórico de participação de seus alunos nas competições, e afirma que a participação na olimpíada traz novas perspectivas para seus alunos. “A OBMEP, para mim, é um projeto de inclusão social. Incluir é permitir, possibilitar e despertar sonhos nessa garotada. Independentemente de ganhar ou não, eles estão tendo uma perspectiva de um futuro melhor.”

 




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