Aos 12 anos, Úrsula Romão, de Coruripe (AL) sonha com a graduação no IMPA Tech
Na casa de Úrsula Romão, a matemática nunca foi apenas uma disciplina escolar. Ela sempre esteve presente nas conversas, nos jogos e nas pequenas situações do cotidiano. Aos 12 anos, estudante da rede municipal de Coruripe, no interior de Alagoas, Úrsula transformou esse convívio natural com os números em uma conquista que inspira: a segunda medalha de ouro na OBMEP.
Filha de dois professores de matemática, Úrsula cresceu em um ambiente onde aprender fazia parte da rotina familiar. O incentivo veio cedo, mas sempre de forma leve. Como explica o pai, Darliton Romão, “sempre trabalhamos com leveza e simplicidade a matemática em nossa família”. Segundo ele, os filhos aprenderam desde pequenos que “a matemática está em tudo e quem a domina sai na frente”.
Mais do que um projeto profissional, a matemática foi apresentada como algo acessível e até divertido. Jogos, desafios mentais e pequenas competições em família ajudaram a construir uma relação positiva com a disciplina, distante da ideia de que matemática é difícil ou inacessível. “Sempre gostei de matemática”, diz a estudante, reforçando o incentivo da família.
Esse ambiente familiar favorável se somou a outro elemento fundamental na trajetória da jovem: o estímulo escolar. Úrsula estuda na Escola Liége Gama Rocha, que oferece treinamentos para olimpíadas do conhecimento. Desde cedo, a estudante participou de competições, mas foi a partir do 6º ano que passou a se dedicar de forma mais consistente às olimpíadas de matemática.
“Sempre tive muito apoio, sempre participei de vários programas de treinamento”, relata a jovem, que após a primeira medalha na OBMEP ingressou no PIC Jr. (Programa de Iniciação Científica).
Os ouros na 19ª e na 20ª OBMEP conquistados por Úrsula estão entre os primeiros registrados em mais de uma década na cidade, reforçando o impacto da educação pública quando aliada a oportunidades e incentivo.
A olimpíada proporcionou ainda experiências, como a participação na Cerimônia Nacional da 19ª OBMEP, no Rio de Janeiro — sua primeira viagem de avião sozinha e para outra região do Brasil.
“Acho que essa prova foi uma das mais importantes que eu já fiz na minha vida. Ela realmente me deu muitas oportunidades”, conta. A partir dessas vivências, novos horizontes se abriram. Úrsula sonha em cursar matemática no IMPA Tech, programa de graduação do IMPA, e seguir carreira acadêmica.