Bronze em 2019, Luis Fernando vive no município de Miracema, em uma agrovila


Medalhista da zona rural do Tocantins encoraja colegas

 

 

 

É de uma agrovila no município de Miracema do Tocantins, no Tocantins, que Luis Fernando Pereira da Silva, de 14 anos, cultiva o hábito de ler livros sobre ciências. Ele, o pai, Cristiano Alves Pereira, e o avô, Cristino Pereira da Costa, moram em uma das setenta e quatro casas da região. “Sinto prazer em estudar. Uso meu tempo livre para pesquisar sobre assuntos que quero conhecer e entender melhor. Gosto de ir além das matérias do colégio”, diz o estudante. Como disciplinas favoritas, estão a física e, claro, a matemática. Na edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) de 2019, ele se tornou o primeiro medalhista da rede pública da zona rural do estado.  

 

A medalha de bronze veio na segunda vez que o estudante participou da competição. “Em 2018, não passei para a fase seguinte da OBMEP. Mas insisti e funcionou”, celebra. Para fazer a prova, Luis Fernando embarcou em um ônibus saindo de seu colégio, da Escola Municipal Boanerges Moreira de Paula, para o centro de Miracema, em uma viagem de 32 Km. 

 

“Na ocasião, não pude acompanhá-lo porque estava trabalhando”, conta o pai do estudante. “Mas pedi que ele tirasse uma foto para me mostrar que estava a caminho da prova. É uma imagem que guardo com muito carinho.” Na família de lavradores, o estudante vem inaugurando novos espaços no campo da educação, o que só multiplica a felicidade de Cristiano. “Viemos de uma família pobre. Desde cedo, vimos que ele é inteligente e estudioso. Isso me enche de orgulho.”

 

Para se preparar para a OBMEP, Luis Fernando teve um empurrãozinho do professor de matemática Lucas De Lucca e contou com um valioso acervo da escola. “Muitos livros antigos estavam guardados e pedi para levar aquele material para casa. Um que me lembro bem é o volume 3 da publicação ‘Física, Ciência e Tecnologia’, por conta das legendas e das imagens que me ajudaram a entender muitas contas e interações da física. Aquele volume foi um divisor para que compreendesse melhor o mundo ao meu redor.” 

 

 




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Por conta da pandemia do coronavírus, a rotina do colégio não é mais a mesma. Uma vez a cada quinze dias, os alunos vão presencialmente às aulas onde fazem a entrega de tarefas e tiram dúvidas. E os professores renovam a lista de deveres. 

 

Para o coordenador regional da olimpíada no Tocantins, Paulo Cleber Mendonça, fazer parte da conquista da medalha do estudante é uma contribuição extremamente positiva que pode levar Luis Fernando à sonhada faculdade de ciência da computação. 

 

“A motivação para estar na coordenação da OBMEP é ver o trabalho sendo realizado, a compreensão dos alunos, além de contribuir com a formação deles. Queremos levar a competição para onde o aluno está, incentivar que cada vez mais estudantes da zona rural também participem da competição”, aponta.

 

Feliz com o resultado alcançado, Luis Fernando encoraja a participação de outros estudantes. “Para quem fica na dúvida se deve ou não participar da OBMEP, ou não se acha bom o suficiente para fazer a prova, posso dizer que, se você tem uma chance, tente, participe porque pode valer a pena”, recomenda o medalhista. 

 

 

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