Henrique Bastos tem quatro medalhas na competição e concluiu doutorado no IMPA
Cria da OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), Henrique Nogueira Bastos transformou o talento para a disciplina em uma trajetória acadêmica. Natural de Janaúba, no norte de Minas Gerais, ele ganhou quatro medalhas na Olimpíada e participou do PIC (Programa de Iniciação Científica Jr.) antes de ingressar na graduação em Matemática na Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros) e no mestrado na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Em maio, Bastos concluiu mais uma etapa dessa jornada com a defesa da tese de doutorado “Unicidade de discos capilares em domínios tridimensionais” sob orientação do pesquisador Lucas Ambrozio.
A pesquisa está inserida na área de geometria diferencial, mais especificamente em análise geométrica, campo que combina ferramentas de análise matemática para responder questões sobre objetos geométricos. Em sua tese, Bastos investiga superfícies conhecidas como discos capilares, que aparecem em modelos físicos envolvendo tensão superficial, como a interface entre um líquido e o ar dentro de um recipiente.
A relação do pesquisador com a matemática, porém, começou muito antes do doutorado. Ex-aluno da Escola Estadual Maurício Augusto de Azevedo, ele participou pela primeira vez da OBMEP sem imaginar a dimensão que a olimpíada teria em sua vida. “Eu achava que era mais uma prova do governo. Depois vieram as primeiras menções honrosas, as premiações, e isso me permitiu participar do PIC. Foi nesse momento que tive acesso a uma matemática mais avançada e mais divertida do que a da sala de aula”, relembrou o ganhador de uma medalha de ouro, uma de prata, dois bronzes, além de três menções honrosas.
Para Bastos, a experiência no PIC e nos encontros promovidos pela OBMEP foi determinante para despertar o interesse pela pesquisa. Ao longo dos anos, ele participou de quatro edições do Encontro do Hotel de Hilbert, evento voltado a medalhistas da OBMEP que se destacam no programa de Iniciação Científica da Olimpíada. “Tive muita influência da OBMEP. Ela me colocou nesse caminho”, afirmou.
Embora tenha considerado outras carreiras da área de exatas ao concluir o ensino médio, a matemática sempre ocupou o primeiro lugar entre suas opções. Hoje, aos 29 anos, ele é o primeiro doutorando de sua família e vê a educação como um dos pilares de sua trajetória.
“Eu sempre quis ser professor, muito influenciado pelos meus próprios professores. Acho que o Brasil tem muitos talentos, e programas como a OBMEP fazem diferença justamente por identificar esses estudantes e mostrar possibilidades que eles talvez não conhecessem”, disse.
Antes de chegar ao IMPA, Henrique participou de duas edições da Escola de Verão do instituto durante a graduação. A experiência ajudou a consolidar a decisão de seguir para a pós-graduação no Rio de Janeiro. A mudança, no entanto, exigiu adaptação. Acostumado ao interior mineiro, ele encontrou uma realidade bastante diferente na capital fluminense.
“De início, achei o Rio uma cidade muito caótica. Com o tempo, fui percebendo a beleza, a vida cultural e as oportunidades que existem aqui. Hoje gosto muito da cidade”, contou.
Após a defesa da tese, Henrique pretende continuar na carreira acadêmica. Atualmente, ele atua como professor substituto na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e planeja buscar oportunidades de pós-doutorado e concursos para dar continuidade às pesquisas em geometria diferencial.
“A matemática é uma maneira muito interessante de enxergar o mundo. Sempre gostei dessa parte mais lógica e investigativa. Quero continuar trabalhando com pesquisa e ensino, que são coisas que me motivam muito”, concluiu.