Medalhista conta que PIC abriu portas para carreira

 

Filho de uma dona de casa e de um vendedor, Igor concluiu doutorado no IMPA


“Foi no PIC [Programa de Iniciação Científica Jr.] que eu descobri que matemática podia ser uma carreira.” Ainda na adolescência, Igor Alarcon Blatt fez uma descoberta que marcaria sua trajetória e os primeiros passos foram dados na OBMEP. Filho de uma dona de casa e de um vendedor, o estudante da rede pública de Cachoeiras de Macacu (RJ) foi o primeiro da família a seguir uma carreira acadêmica e, aos 29 anos, defendeu sua tese de doutorado no IMPA.

“A matemática sempre foi o que eu achei mais divertido”, conta. Aos 11 anos, participou pela primeira vez da OBMEP. Na estreia, recebeu uma menção honrosa. No ano seguinte, conquistou a primeira medalha de bronze.

Naquela época, a matemática ainda não estava nos planos profissionais. Como muitas crianças, Blatt teve diferentes ideias sobre o que gostaria de fazer no futuro. Queria ser jogador de futebol. Depois, pensou em ser baterista de uma banda de rock. Mais tarde, interessou-se por engenharia e chegou a sonhar em construir robôs.

Foi a OBMEP que começou a apresentar a Blatt uma possibilidade que ele ainda não conhecia. Como medalhista, teve a oportunidade de participar do PIC Jr., iniciativa que aproxima estudantes da matemática por meio de atividades que vão além do conteúdo escolar. Foi nesse ambiente que começou a conhecer a matemática de outra maneira e, principalmente, a descobrir que era possível fazer dela uma profissão.

“Gostava de matemática como estudante, mas não sabia que existia uma carreira de matemática. No PIC, conheci pessoas que estudavam e trabalhavam com isso. Aprendi que existia carreira de matemática e que eu poderia seguir isso um dia”, lembra.

No último ano do Ensino Médio, Blatt voltou a conquistar uma medalha de bronze na OBMEP. Ainda assim, a decisão de seguir a matemática não estava completamente tomada.

Na hora de prestar vestibular, Blatt escolheu Engenharia de Controle e Automação, na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e Matemática na UFF (Universidade Federal Fluminense), como segunda opção.“Falei: ‘vou fazer um semestre de matemática. E, se eu gostar, eu fico. Se eu não gostar, eu tento ir para a engenharia de novo’. E aí, já no primeiro semestre, eu me apaixonei.”




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Da escola pública ao doutorado no IMPA

Na universidade, Blatt encontrou uma matemática diferente daquela que conhecia na escola e se encantou ainda mais pela área. A dedicação ao curso veio acompanhada de uma rotina de desafios. Morando em Cachoeiras de Macacu, fazia diariamente um trajeto de cerca de quatro horas de transporte público até Niterói.

Ao longo da graduação, aproximou-se da pesquisa em matemática e, no fim do curso, passou a cursar disciplinas do mestrado. Em 2022, quando concluía essa etapa, participou de um evento no IMPA sobre álgebras de vértices e decidiu se candidatar ao doutorado.

No IMPA, ele foi orientado pelo pesquisador do Instituto Jethro van Ekeren. A pesquisa dele está inserida na área de álgebra e envolve o estudo de estruturas matemáticas bastante especializadas. Em linhas gerais, seu trabalho busca classificar uma determinada classe de W-álgebras a partir de propriedades matemáticas relacionadas às suas representações.

A defesa da tese marca o encerramento de uma etapa que, para ele, representa muito mais do que um título acadêmico. É a conclusão de um caminho que começou em uma escola pública de Cachoeiras de Macacu, passou pela OBMEP e pelo PIC Jr. e chegou à pesquisa matemática no IMPA.

“Quando você olha para o redor, você entende que não é fácil para alguém que veio da escola pública, que enfrentou vários problemas financeiros com a família e tudo, chegar num lugar desse. Estou feliz e orgulhoso do trajeto já percorrido.”