Por que meninas talentosas 'evitam' o sucesso?

 

 

Reprodução do blog do IMPA Ciência & Matemática, de O Globo, coordenado por Claudio Landim

Claudio Landim

 

Já vimos nesse blog [1] que as meninas têm um desempenho inferior ao dos meninos em olimpíadas de matemática. Esta diferença se acentua com a idade escolar e, curiosamente, com o sucesso: a porcentagem de meninas diminui à medida que se chega à nota máxima. A diferença tem se mantido constante ao longo dos anos e suscitado diversas iniciativas para estimular a participação das meninas em competições científicas.

 

Um fenômeno menos conhecido e mais surpreendente é que são justamente as meninas com bom desempenho que tendem a desistir de participar das competições. Este fenômeno já observado nos Estados Unidos e em países em desenvolvimento [2–4], foi identificado recentemente no Brasil [5].

 

A Olimpíada Brasileira de Matemática de Escolas Públicas (OBMEP) tem duas fases. Todos os alunos inscritos participam da primeira etapa, que consiste em uma prova de múltipla escolha com 20 questões. Os 5% melhores da cada escola se classificam para a segunda fase, em que são propostos seis problemas, valendo 20 pontos cada um. Portanto, as notas da primeira fase variam de 0 a 20, e as da segunda de 0 a 120.

 

Os dois gráficos abaixo [5] apresentam os resultados na segunda fase da olimpíada, segundo a nota da primeira fase e o gênero. O primeiro concerne alunos do Nível 1 (6º e 7º anos do Ensino Fundamental), crianças entre 11 e 12 anos, e o segundo estudantes do Nível 3 (Ensino Médio), jovens de 15 a 18 anos. Em laranja o desempenho dos meninos, e em azul o das meninas. Portanto, uma menina que tenha resolvido 15 das 20 questões da prova da primeira fase tira, em média, 50 (em 120) na segunda fase. Uma nota muito próxima da dos meninos.

 

 

O gráfico mostra que, no Nível 1, as pontuações na segunda fase das meninas que acertaram 14 perguntas ou menos na primeira fase não são muito diferentes das dos meninos. Os resultados começam a se distinguir a partir da nota 15 e são bastante diferentes entre os alunos que tiraram mais do que 18 na primeira fase. No Nível 3, a diferença é maior e já surge entre alunos com 10 pontos na primeira fase.

 

Os dois gráficos seguintes apresentam a porcentagem dos estudantes que participam da segunda fase, de acordo com a nota da primeira etapa e o gênero. Como nos dois gráficos anteriores, o primeiro concerne alunos do Nível 1, e o segundo os do Nível 3. Em laranja o desempenho dos meninos, e em azul o das meninas. Portanto, no Nível 1, aproximadamente 80% das meninas e dos meninos que tiraram 15 na primeira fase comparecem à prova na segunda fase. Nas notas mais altas percebe-se uma pequena diferença.

 

Para ler o texto na íntegra acesse o site do jornal

Fonte: IMPA




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