Vagas Olímpicas aliviam pressão de vestibulandos em pandemia

 

 

Com o ensino à distância e as incertezas trazidas pela pandemia do novo coronavírus, 2020 trouxe desafios extras para o já estressante processo de vestibular. Para os medalhistas da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), a possibilidade de ingresso em universidades brasileiras com base no desempenho na competição aliviou consideravelmente essa carga. Com a modalidade “Vagas Olímpicas”, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) recebeu 467 inscrições de candidatos que tiveram resultados exemplares em olimpíadas de conhecimento, e 97 deles são medalhistas da OBMEP.

 

O programa foi criado em 2018 e, desde então, já matriculou mais de 80 estudantes medalhistas ou com ótimo desempenho em competições de conhecimento de Matemática, Biologia, Física, Química, História e Robótica. Os alunos selecionados podem se inscrever em duas das 29 opções de cursos. Em 2021, a modalidade contará com cinco chamadas.

 

A estudante Isabela Pereira, de 20 anos, foi uma das selecionadas na primeira chamada do programa neste ano. Matriculada no curso de engenharia da manufatura, a paulistana está animada para começar a nova fase. “Estou muito ansiosa. É um novo ciclo, uma nova cidade na qual vou estar sozinha. Queria fazer faculdade no interior porque sei que engenharia é um curso puxado, vou precisar me concentrar”, comenta.

 

Medalhista de prata na OBMEP 2019, ela conta que não perdeu tempo para pesquisar os frutos que a recompensa poderia trazer. “Procurei tudo que podia fazer com a medalha, então já sabia das vagas olímpicas desde o ano passado. Com essa oportunidade em mãos, fiquei bem mais calma.” Para a estudante, a nova modalidade é uma forma de incentivar mais alunos a participarem da olimpíada organizada pelo IMPA.

 

João Pedro Apolônio, de Brasília, é veterano na competição. Já conquistou duas medalhas de prata e acredita que a nova modalidade de ingresso otimiza a preparação dos vestibulandos. “Para muitos cursos de graduação você precisa saber muito de uma matéria específica. Eu, que queria estatística, precisava muito de matemática. É ótimo dar esse poder ao estudante, para ele focar no que realmente precisa estudar.”

 

De olho nas demandas do mercado de trabalho, ele se matriculou em estatística na Unicamp. “Vejo que é um profissional que está em falta, tanto no Brasil como no mundo”, conta. Com 18 anos, o medalhista já vislumbra o que gostaria de fazer quando concluir a graduação: empreender. 

 

E parte das habilidades que serão exigidas no seu futuro profissional foram trabalhadas nas provas da OBMEP. “São provas divertidas, têm uma sacada por trás. O nível de raciocínio que elas exigem é muito alto. É uma matemática diferente da escola, que você aprende um processo e reproduz como robô. A OBMEP muda o rumo das vidas, pode despertar o interesse de um estudante pela matéria e fazer com que ele desenvolva disciplina nos estudos desde cedo. É um amadurecimento.”

 

Traço comum aos competidores científicos, o fôlego acadêmico ao qual o estudante faz menção pode beneficiar e enriquecer o corpo discente das universidades. Medalhistas são, em geral, alunos de alto desempenho, acostumados a longas jornadas de estudo e a enfrentar desafios que exigem raciocínio e perseverança. Tudo isso faz deles potenciais pesquisadores.

 

Contribuir para a pesquisa acadêmica está nos planos de Pâmela Caroline Braido, aprovada para a licenciatura em matemática na instituição. A estudante de São João da Boa Vista (SP) afirma que a OBMEP, na qual já conquistou três medalhas de bronze, teve grande influência sobre a escolha do curso. “Participo desde o Ensino Fundamental da competição. Também fiz parte do Olimpomatemática, um projeto de extensão no Instituto Federal da cidade no qual eu preparava outros estudantes para participarem da competição. Percebi que era isso que eu gostava de fazer, dar aulas. Mas além de ser professora, também quero muito pesquisar.”

 

A dica do ingresso por meio das vagas olímpicas na Unicamp veio de colegas que ingressaram na universidade em chamadas anteriores da modalidade, conta Pâmela. Apesar de o primeiro semestre estar programado para acontecer à distância, a estudante está entusiasmada para entrar em contato com o cotidiano da universidade e da pesquisa científica.

 

Fonte: IMPA

 

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